A presença de brigadistas, vulgarmente conhecidos como “lotadores”, em diferentes paragens de táxi de Luanda e de outras províncias continua a suscitar preocupação entre os cidadãos, sobretudo passageiros que recorrem diariamente aos transportes públicos.
Por : João Afonso
Em algumas paragens, a aparência, a forma de vestir, a linguagem e a maneira de interagir com o público têm contribuído para criar uma imagem de desconfiança em relação a estes trabalhadores. Alguns passageiros associam determinadas características físicas, como cicatrizes ou marcas no rosto, a possíveis antecedentes de criminalidade, aumentando o sentimento de insegurança nas paragens.
Na condição de passageira, Domingas Alfredo conta que já se deparou com situações que lhe provocaram receio ao ser abordada por um brigadista numa paragem de táxi.
“Eu já senti medo de me aproximar de um brigadista, por causa do rosto dele e da forma como fui abordada para entrar no táxi. Cheguei a desconfiar que se tratava de um meliante”, relatou.
Alexandre Tito é outro passageiro que afirma já ter tido um desentendimento com um lotador, motivado, segundo ele, pela forma como foi abordado.
“Alguns destes brigadistas ou lotadores não têm respeito. Precisam de falar melhor connosco e, às vezes, a aparência deles também causa medo”, enfatizou.
Questionado sobre o papel dos brigadistas ou “lotadores” nas paragens, o presidente da Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA), Rodrigo Catimba, defendeu a necessidade de olhar para estes trabalhadores numa perspectiva de inclusão e reintegração social.
Segundo o responsável, os brigadistas fazem parte da comunidade e muitos encontram nesta actividade uma oportunidade de garantir o seu sustento.
“Os brigadistas, vulgarmente conhecidos como lotadores, são nossos filhos, irmãos e parentes. Não tiveram uma oportunidade igual à de outros que conseguiram um emprego para garantir a sua sustentabilidade. Daí que, independentemente do comportamento, são acolhidos”, afirmou.
Rodrigo Catimba explicou ainda que a ANATA tem procurado orientar e disciplinar os brigadistas, com o objectivo de melhorar a relação entre estes, os passageiros e os demais intervenientes no sector dos transportes.
“Temos humanizado, disciplinado e orientado para que, dentro do trabalho que fazem, consigam respeitar os passageiros e também sobreviver”, sublinhou.
Novo modelo de taxista
Sobre o chamado “novo modelo do novo taxista”, Catimba afirmou que a iniciativa foi idealizada pela ANATA com o propósito de humanizar os serviços de táxi em Angola.
De acordo com o presidente da associação, a intenção é fazer com que qualquer cidadão que se encontre numa paragem ou utilize um táxi azul e branco se sinta tratado com dignidade e respeito.
A iniciativa, acrescentou, está a ser implementada em todo o território nacional onde a ANATA está representada, com uma mensagem assente na humanização, solidariedade, respeito e comunicação entre taxistas, passageiros e autoridades. “A nossa intenção é levar uma palavra de humanização, de solidariedade, respeito e de comunicação entre taxistas, passageiros e autoridades”, concluiu


