O Chairman & CEO da BRIMONT, Francisco Monteiro, defendeu, durante a edição de 2026 da Angola Oil & Gas (AOG), a necessidade de Angola avançar de uma lógica de simples participação nacional para a construção efectiva de cadeias de valor angolanas, com maior capacidade industrial, conhecimento técnico, emprego qualificado e retenção de valor na economia nacional
Por : Redacção
Ao fazer uma avaliação da conferência, Francisco Monteiro considerou que a AOG 2026 demonstrou a crescente maturidade do sector petrolífero angolano e a capacidade do País de apresentar empresas, profissionais e soluções alinhadas com padrões internacionais.
Para o gestor, a participação da Brimont teve particular importância, incluindo a visita do Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás ao stand da empresa, onde foram apresentadas as suas capacidades e a aposta no desenvolvimento de competências nacionais e na prestação de serviços especializados de engenharia.
Entre as áreas apresentadas estiveram a Integridade de Activos, com destaque para a monitorização e controlo da corrosão, inspecção de infra-estruturas e Testes Não-Destrutivos (NDT), além da Injecção e Fluxo de Químicos e, mais recentemente, da área de NORM — Naturally Occurring Radioactive Material.
Francisco Monteiro sublinhou que estas são áreas tecnicamente exigentes, nas quais a empresa pretende continuar a investir em conhecimento, tecnologia e formação de quadros angolanos.
A participação do Chairman & CEO da BRIMONT incluiu igualmente dois painéis dedicados ao contributo das empresas angolanas para o desenvolvimento do sector petrolífero.
Nessas discussões, defendeu que a próxima etapa do Conteúdo Local deve ultrapassar a mera presença de empresas nacionais na cadeia de fornecimento.
Para Francisco Monteiro, o objectivo deve ser a construção de cadeias de valor efectivamente angolanas, capazes de gerar eficiência operacional, conhecimento, emprego qualificado, capacidade industrial e maior retenção de valor no País.
Entre os constrangimentos identificados, Francisco Monteiro apontou a ausência de instrumentos de financiamento adequados às especificidades do sector petrolífero como um dos principais obstáculos ao crescimento das empresas angolanas.
O responsável defendeu igualmente uma reflexão mais aprofundada sobre o enquadramento cambial e os seus efeitos sobre as empresas nacionais que prestam serviços a uma indústria internacionalizada.
Explicou que, muitas empresas angolanas precisam de recorrer ao exterior para adquirir bens, equipamentos e tecnologias indispensáveis à execução dos seus contratos, o que pode criar forte pressão financeira e cambial.
A questão torna-se particularmente evidente, na sua perspectiva, no domínio do Procurement, onde considera necessário repensar o modelo económico actualmente praticado.
Francisco Monteiro defendeu que, quando uma empresa angolana presta serviços de procurement a um Operador, não deve ser colocada numa posição em que tenha de financiar, de forma sistemática, as aquisições internacionais solicitadas pelo próprio Operador.
Como alternativa, propôs que os Operadores possam financiar ou disponibilizar antecipadamente os recursos destinados às componentes externas das compras, mantendo as empresas angolanas responsáveis por toda a operação de procurement.
Nesse modelo, caberia à empresa nacional assegurar o sourcing, a gestão de fornecedores, a logística, o controlo de qualidade, a documentação e a entrega.
Para o gestor, a proposta deve ser analisada do ponto de vista cambial, contratual e de compliance, podendo contribuir para reduzir a pressão financeira sobre as empresas nacionais e permitir que estas canalizem os seus recursos para o desenvolvimento de pessoas, tecnologia, competências e capacidade operacional.
Francisco Monteiro considera ainda que o Procurement não deve ser encarado apenas como uma actividade de compra e revenda de produtos.
Na sua visão, trata-se de uma função estratégica da cadeia de valor do Oil & Gas, que envolve conhecimento técnico, inteligência de mercado, qualificação de fornecedores, gestão de riscos, logística internacional, compliance, financiamento e capacidade de resposta operacional.
Defendeu, por isso, que o fortalecimento das empresas nacionais exige não apenas políticas de preferência ou exclusividade, mas também condições económicas e financeiras que permitam às empresas cumprir e crescer de forma sustentável.


