Angola assinala, nesta quinta-feira, 10 de setembro, 47 anos da morte de António Agostinho Neto, primeiro Presidente da República de Angola e uma das principais figuras políticas do país no século XX.
Por : Redacção
Agostinho Neto morreu a 10 de setembro de 1979, em Moscovo, então União Soviética. Médico, escritor e político, foi uma das principais figuras da luta anticolonial e presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Após a proclamação da independência, em 1975, tornou-se o primeiro Presidente de Angola, cargo que exerceu até à sua morte.
Considerado também um importante pensador anticolonial e marxista, Agostinho Neto recebeu, em 1975-1976, o Prémio Lenine da Paz, em reconhecimento pela sua contribuição para a luta pela paz e pelos movimentos de libertação nacional.
Passados 47 anos sobre a sua morte, o legado político, literário e histórico de Agostinho Neto continua a marcar a sociedade angolana, sendo anualmente recordado em cerimónias oficiais e iniciativas de carácter político e cultural.
Alegado atraso no apoio à viúva
A data é assinalada este ano num contexto de notícias sobre a situação de Maria Eugénia Neto, viúva do primeiro Presidente angolano, que se encontra em Portugal para tratamento médico.
Alguns órgãos de comunicação social, entre os quais o Club-K, divulgaram declarações do veterano jornalista luso-angolano Artur Orlando Teixeira Queiroz, segundo o qual a viúva de Agostinho Neto estaria a enfrentar dificuldades financeiras para fazer face às despesas de alimentação e do tratamento médico.
Numa declaração citada pelo Club-K, o jornalista afirmou: “A viúva de Agostinho Neto não tem dinheiro para comer nem para pagar a clínica”, acrescentando que os valores que deveriam ser enviados para apoiar as despesas teriam desaparecido.
A questão também foi abordada num texto de opinião intitulado “Marcas da pobreza”, igualmente citado pelo Club-K.
Estado nega suspensão do apoio
Entretanto, segundo informações apuradas pelo próprio Club-K, os subsídios atribuídos pelo Estado angolano a Maria Eugénia Neto mantêm-se inalterados. A antiga primeira-dama continuaria igualmente a beneficiar de apoio institucional dos serviços de saúde da Presidência da República para assegurar o tratamento médico em Portugal.
De acordo com fontes ligadas ao processo, citadas pelo órgão de comunicação, nas últimas semanas terão ocorrido atrasos na transferência de alguns valores, situação que estaria relacionada com constrangimentos nas transações bancárias e não com uma decisão de suspensão do apoio.
As mesmas fontes consideram, por isso, que as declarações do jornalista poderão ter resultado de uma interpretação dos atrasos pontuais, não correspondendo a uma interrupção do apoio financeiro e institucional prestado pelas autoridades angolanas.
Assim, enquanto o país recorda a figura e o legado do seu primeiro Presidente, a situação da sua viúva acrescenta uma dimensão de preocupação ao aniversário da morte de Agostinho Neto, colocando novamente em debate a forma como o Estado preserva e apoia a família de uma das figuras centrais da história contemporânea de Angola.

