Insuficiência de funcionários preocupa direcção do Campo Santo
O número reduzido de funcionários no Cemitério da Mulemba, também conhecido por Cemitério 14, está a preocupar a direcção daquela instituição, uma situação que, segundo os responsáveis, compromete a capacidade de resposta à elevada procura dos serviços prestados diariamente.
Por : Redacção
De acordo com o director-adjunto, Nunes Marcial, o cemitério conta actualmente com 48 funcionários, distribuídos por diferentes áreas de trabalho, com o objectivo de assegurar o normal funcionamento da instituição.
Apesar dos esforços para garantir a prestação dos serviços, o responsável considera que o número de trabalhadores é insuficiente para responder às necessidades actuais.
“Certamente, este número não é suficiente para atender à demanda. Precisaríamos de, no mínimo, 120 funcionários”, esclareceu.
Na ocasião, Nunes Marcial voltou a manifestar preocupação com os actos de vandalismo e os comportamentos considerados inadequados registados no interior do cemitério. Segundo explicou, alguns jovens frequentam o local em estado de embriaguez, proferem palavras ofensivas contra os trabalhadores, sobretudo os coveiros, e, em determinadas ocasiões, chegam a protagonizar agressões físicas.
“Os jovens devem parar com estes comportamentos. O trabalho que realizamos merece respeito e deve ser visto como qualquer outra profissão. Seria bom que as famílias determinassem o número de pessoas que devem acompanhar os funerais, de modo a evitar as confusões que frequentemente testemunhamos aqui”, lamentou.
Por sua vez, Abel Avelino, funcionário do Cemitério da Mulemba, afecto à área de inumação e que exerce a função de coveiro, também condenou as atitudes de alguns jovens que, segundo afirmou, demonstram falta de respeito pelo Campo Santo e agem como se a morte não fosse uma realidade para todos.
A preocupação é igualmente partilhada por cidadãos que frequentam ou residem nas imediações dos cemitérios.
Maria de Jesus, funcionária pública e residente no município do Cazenga, lamentou o comportamento de alguns jovens que frequentam o local, considerando que determinadas atitudes são incompatíveis com o respeito que se deve observar num espaço de memória e homenagem aos entes queridos.
“É repugnante e condenável a todos os níveis. As pessoas apresentam comportamentos estranhos, que nada têm a ver com a nossa cultura. Infelizmente, alguns cemitérios tornaram-se locais de diversão e de desfile de roupas”, criticou.
Já Miguel Morais, residente no Hoji-Ya-Henda e proprietário de um pequeno estabelecimento comercial, chamou a atenção para a insuficiência de efectivos de segurança em alguns cemitérios de Luanda. Na sua perspectiva, a fraca presença de agentes de segurança contribui para a ocorrência de assaltos a famílias que acompanham os funerais, mesmo em plena luz do dia.
Por outro lado, Paulo Chicomo, residente no Cazenga e funcionário público, manifestou preocupação com o elevado número de funerais realizados nos cemitérios da capital, considerando que a situação merece uma reflexão por parte das autoridades competentes.
O cidadão receia que, perante o aumento da procura e a capacidade limitada dos espaços disponíveis, alguns campos santos possam vir a enfrentar dificuldades de funcionamento ou até mesmo a encerrar.
Recorde-se que o Dia dos Finados é uma data dedicada à homenagem e à memória das pessoas falecidas. Em Angola, a efeméride é assinalada com particular reverência por diferentes sectores da população, sobretudo entre os fiéis das igrejas católica, protestante e evangélica.

