Por : João Afonso
O Dia Internacional do Idoso é celebrado anualmente no dia 1 de outubro, uma data proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 14 de dezembro de 1990, tendo sido celebrado pela primeira vez em 1991.
A data constitui uma ocasião importante para chamar a atenção para os direitos, os desafios e as contribuições das pessoas idosas em todo o mundo. É também um momento para promover o respeito, a inclusão e a valorização da população idosa, bem como incentivar políticas públicas que garantam dignidade, protecção e bem-estar.
A celebração desta data ocorre num contexto marcado por várias preocupações que afectam esta parcela da sociedade. Em Angola, muitos idosos continuam a enfrentar situações de abandono e vulnerabilidade social, sendo, em alguns casos, afastados do convívio familiar e obrigados a viver em condições extremamente difíceis.
É preocupante constatar que algumas pessoas abandonam ou deixam de prestar assistência aos seus pais e avós, esquecendo-se de que o envelhecimento é uma realidade natural da vida. Um dia, a própria natureza poderá colocá-las na mesma condição daqueles que hoje são negligenciados. Cuidar dos idosos deve, por isso, ser encarado não apenas como uma responsabilidade familiar, mas também como uma questão de humanidade, respeito e solidariedade.
Outro fenómeno preocupante é a acusação de alguns idosos de práticas de feitiçaria. Essas acusações podem contribuir para a sua marginalização, violência, abandono e exclusão das próprias comunidades e famílias. Trata-se de uma realidade que merece maior atenção das autoridades, das famílias, das organizações da sociedade civil e das comunidades.
A população idosa em Angola continua, assim, a enfrentar diferentes formas de discriminação e exclusão, ao mesmo tempo que regista um crescimento significativo. Este crescimento coloca novos desafios ao Estado e à sociedade, sobretudo no que diz respeito à assistência social, aos cuidados de saúde, à habitação, à segurança económica e à protecção contra todas as formas de violência e abandono.
Apesar dos esforços do Estado angolano na implementação de políticas e medidas destinadas a proteger os idosos e garantir os seus direitos e bem-estar, a realidade observada no dia a dia ainda suscita preocupação. Encontramos nas ruas idosos a pedir esmola e outros em condições de saúde muito debilitadas, o que demonstra que ainda há muito por fazer.
A proteçcão da população idosa não deve limitar-se à assistência. É fundamental promover a sua inclusão social, económica e produtiva, criando condições para que as pessoas idosas continuem a participar activamente na sociedade, de acordo com as suas capacidades e possibilidades. A experiência, os conhecimentos e os valores acumulados ao longo da vida constituem um património que não deve ser desperdiçado.
Por isso, neste Dia Internacional do Idoso, mais do que celebrar, é necessário refletir: como está, verdadeiramente, a nossa população idosa?
A resposta exige o envolvimento de todos. Famílias, comunidades, instituições e Estado devem assumir as suas responsabilidades para que envelhecer em Angola não signifique abandono, pobreza, discriminação ou perda de dignidade.
Respeitar e proteger os idosos é também preparar uma sociedade mais humana para todos nós. Afinal, o envelhecimento é uma etapa da vida que, mais cedo ou mais tarde, fará parte da história de cada um.

