O desporto continua a assumir-se como um importante instrumento para afastar os jovens do mundo da criminalidade. No bairro Kikolo, município de Cacuaco, em Luanda, a iniciativa tem mobilizado a comunidade através da realização de actividades desportivas que promovem a integração social e cultural da juventude.
Por : Redacção
Actualmente, cerca de 18 equipas participam num campeonato comunitário que já vai na sua oitava edição, contribuindo para a ocupação saudável dos tempos livres dos jovens e para a descoberta de novos talentos.
Segundo o director técnico da União Desportiva do Kikolo, Afonso Wanguela André da Costa, uma das principais preocupações da organização está relacionada com a ausência ou demora na resposta das autoridades policiais aos pedidos de apoio para a realização dos jogos.
Para o responsável, a presença da Polícia seria importante para reforçar a segurança e garantir melhores condições de organização, prevenindo eventuais actos de sabotagem ou conflitos durante as partidas.
“O desporto comunitário é hoje uma das actividades que mais tem crescido e atingido níveis elevados dentro das comunidades. No nosso país, apresenta-se como um catalisador para o desenvolvimento social, cultural e desportivo, transformando e beneficiando a juventude. Funciona também como uma plataforma para identificar jovens talentosos que, posteriormente, podem ser promovidos para as competições profissionais”, afirmou.
Afonso Wanguela André da Costa destacou ainda o apoio de algumas entidades colectivas e individuais, que, segundo ele, têm contribuído para o desenvolvimento do desporto comunitário e para o bem-estar da população.
No entanto, lamentou a falta de resposta atempada das autoridades policiais às solicitações da organização, situação que, na sua opinião, acaba por condicionar a realização do campeonato.
“Em face disso, somos obrigados a contratar pessoas de fora para nos ajudar na organização do evento. O nosso objectivo com estas actividades é tirar os jovens dos maus caminhos e de práticas que não dignificam qualquer cidadão. Actualmente, muitos jovens vivem e sobrevivem do desporto comunitário”, explicou.
Moradores apoiam iniciativa
Os moradores da zona também reconhecem a importância da iniciativa. Luís Caetano Veríssimo, residente no bairro e apreciador do desporto, mostrou-se satisfeito com a realização do campeonato.
“O nosso bairro é mal falado devido ao índice de delinquência. Tenho certeza de que esta actividade vai desencorajar muitos jovens a abandonar comportamentos negativos”, afirmou.
Por sua vez, Morai Khoi e Silvestre Ndiando, ambos moradores do bairro Compão, também lamentaram a postura das autoridades policiais, sobretudo pela proximidade da esquadra em relação ao campo onde são realizados os jogos.
“A esquadra policial está muito próxima do campo, mas simplesmente ignoram as nossas solicitações”, lamentaram.
A realização do campeonato comunitário chega, assim, à sua oitava edição, contando com a participação de 18 equipas. Para os organizadores e moradores, a iniciativa representa mais do que uma competição desportiva: é uma ferramenta de inclusão social e uma alternativa para manter os jovens afastados da criminalidade e de outros comportamentos de risco.


