O administrador municipal do Calumbo, na província de Icolo e Bengo, está a ser acusado por um grupo de cidadãos de suposto envolvimento na venda irregular de terrenos localizados no bairro Km 32.
Por: Redacção
Segundo Santo Manuel António, um dos alegados lesados e proprietário de uma das parcelas, em 2021 foram cedidos alguns terrenos situados entre a nova bacia de retenção e a bomba da Pumangol, no bairro Km 32. A cedência terá sido feita pelos senhores Ariclenes Gaspar Mendes, conhecido por “Bobi”, e Sebastião da Silva, conforme documentos posteriormente entregues ao Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda (IPGUL).
De acordo com a fonte, um grupo de quatro cidadãos solicitou o direito de superfície com o objectivo de legalizar os espaços e construir as suas residências.
Entretanto, os requerentes afirmam ter sido surpreendidos pela invasão do terreno por uma senhora identificada apenas como Tomasa. Segundo os mesmos, após terem efectuado as delimitações das parcelas, a referida senhora terá removido as demarcações com recurso a uma máquina retroescavadora, alegando ser a legítima proprietária do espaço.
Testemunhas citadas pelos denunciantes afirmam que a suposta proprietária nunca apresentou documentos que comprovassem a titularidade do terreno. Ainda segundo as mesmas informações, antes da nova divisão politico admnsitrativa, a Administração de Viana interveio no caso e terá informado, através de um funcionário, que não existia qualquer litígio sobre o espaço em causa.
Nas suas declarações, Santo Manuel António afirmou ainda que actualmente o senhor José Notícia e a sua esposa passaram igualmente a reivindicar a posse do terreno, alegando serem herdeiros e proprietários legítimos.
“Agora é o próprio senhor José Notícia e a sua mulher que aparecem a dizer que somos invasores. Mas Deus é poderoso e todos serão humilhados”, declarou.
O denunciante acrescenta que, no dia 16 de Abril do corrente ano, um grupo de mulheres e vários indivíduos munidos de catanas e outros objectos contundentes deslocaram-se ao local para efectuar escavações, alegadamente sob orientação de Maria Madalena Notícia, conhecida por “Madó”, do seu esposo José Notícia e da senhora Tomasa.
Segundo a mesma fonte, quando questionada sobre a actividade que estava a ser realizada no local, Maria Madalena Notícia terá afirmado ser proprietária do terreno e que os lesados poderiam apresentar queixa “onde quisessem”, porque possuiria ligação directa com o administrador do Calumbo.

Tentativa de esclarecimento
No dia 20 de Abril, o grupo dos quatro cidadãos dirigiu-se à Administração Municipal do Calumbo em busca de esclarecimentos. No local, foram atendidos por uma funcionária identificada como Domingas, afecta à secretaria, que informou que o administrador se encontrava de baixa médica.
Contactado pelo nosso jornal, o administrador municipal do Calumbo, Francisco Tchipilica, afirmou desconhecer o assunto e manifestou-se disponível para prestar quaisquer esclarecimentos relacionados com o caso.


