Dia Mundial do Ambiente:
Vários especialistas do sector ambiental em Luanda continuam a manifestar preocupação com o actual modelo de gestão de resíduos sólidos em Angola. A temática tem despertado crescente interesse entre ambientalistas, académicos e autores que defendem a necessidade de políticas mais eficazes para enfrentar os desafios ambientais do país.
Por : João Afonso
Os especialistas alertam que o crescimento da densidade populacional deve ser considerado um factor fundamental na implementação de políticas eficientes de recolha, tratamento e separação de resíduos. Segundo eles, a ausência de um modelo integrado de gestão de resíduos sólidos compromete a qualidade ambiental e a saúde pública.
Entre as vozes que têm chamado atenção para esta realidade destaca-se o ambientalista Vladimir Russo, que recorda o Plano Estratégico de Gestão de Resíduos Sólidos, discutido e aprovado em Agosto de 2012. Contudo, passados mais de dez anos, os resultados práticos do referido plano ainda estão longe de ser plenamente concretizados.
Por sua vez, o docente universitário Bonifácio António apresenta importantes reflexões na obra “Impacto Social da Ética Ambiental em Angola”. O livro analisa as principais causas e consequências da degradação ambiental no país e apresenta propostas para a sua mitigação.
No seu estudo, o académico faz referência ao Código de Postura da Câmara Municipal de 1863, documento consultado no Arquivo Nacional, que foi aplicado pelo governo colonial nas cidades angolanas e tinha como objectivo premiar o município mais limpo. Inspirando-se nessa experiência histórica, o autor propõe a criação de concursos que distingam as províncias, municípios e distritos mais limpos de Angola.
A obra também defende o reforço da educação ambiental nas famílias, através da actuação coordenada das comissões de bairros, igrejas e escolas, como estratégia de consciencialização ambiental. Entre as sugestões apresentadas, destaca-se ainda a promoção da educação ambiental nas paragens de táxi, incentivando os transportadores a disponibilizarem cestos de lixo para os passageiros.
Bonifácio António reforça igualmente a necessidade da criação de balneários públicos nas vilas e cidades do país, bem como a adopção de medidas voltadas para a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas marinhos e terrestres.
Ao concluir a obra, o autor coloca o ser humano no centro das causas dos problemas ambientais e das alterações climáticas, defendendo a adopção de comportamentos mais responsáveis e harmoniosos com a natureza, entendida como a nossa casa comum.
Estas reflexões ganham ainda mais relevância numa data simbólica como o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado a 5 de Junho. A efeméride tem como principal objectivo sensibilizar a sociedade para a importância da preservação dos recursos naturais e estimular uma postura crítica e activa diante dos problemas ambientais que afectam o planeta.
A data foi instituída em 1972 pela Assembleia Geral das Nações Unidas e, desde então, tornou-se um dos principais momentos de mobilização global em defesa do ambiente.
Em Angola, o Ministério do Ambiente tem aproveitado a ocasião para promover acções de educação ambiental, campanhas de reflorestação e actividades de limpeza urbana em diversas regiões do país, reforçando o compromisso nacional com a sustentabilidade e a preservação ambiental.

