Moradores abandonam a cama à meia-noite para garantir o abastecimento de água
Moradores da cidade do Uíge enfrentam, nos últimos dias, sérias dificuldades no acesso à água potável, situação que tem obrigado muitas famílias a interromper o descanso durante a madrugada para conseguir armazenar o precioso líquido.
Por: Benhão Sapo
Segundo os residentes, a água da rede pública tem sido disponibilizada apenas por volta da meia-noite e, em alguns casos, durante poucas horas, obrigando os consumidores a sacrificar o sono para garantir o abastecimento doméstico.
“Viver aqui é razoável, mas o maior problema é a água. Só conseguimos ter acesso ao abastecimento por volta das zero horas”, relatou Garcia Pedro, morador da cidade.
Perante a escassez, muitas famílias recorrem às cacimbas para suprir as necessidades diárias. No entanto, os moradores alertam que a água proveniente dessas fontes não recebe qualquer tratamento, levantando preocupações quanto à sua qualidade e aos riscos para a saúde pública.
Além disso, o acesso a essa alternativa também representa um custo adicional para as famílias. Segundo os moradores, um bidão de 20 litros é vendido, em média, por 50 kwanzas.
“Durante o dia a água não sai. Quando isso acontece, somos obrigados a procurar água nas cacimbas, mas a qualidade é duvidosa. Ainda assim, temos de pagar 50 kwanzas por um bidão de 20 litros”, afirmou José Manuel, residente do histórico bairro Mbemba Ngangu.
Apesar das falhas constantes no abastecimento, os moradores garantem que continuam a cumprir regularmente com o pagamento das tarifas cobradas pela empresa responsável pelo fornecimento de água. José Manuel e António Mbengi, ambos residentes na antiga cidade de Carmona, consideram injusto pagar por um serviço que não responde às necessidades da população.
Fontes ligadas ao governo provincial revelaram a este jornal que as dificuldades resultam da reduzida capacidade de bombagem do sistema de abastecimento, o que impossibilita o fornecimento simultâneo a todos os bairros da cidade e zonas adjacentes.
Segundo as mesmas fontes, a empresa distribuidora tem adoptado um sistema de abastecimento faseado, levando a água a um bairro de cada vez, numa tentativa de minimizar os constrangimentos.
Entretanto, os munícipes apelam à intervenção urgente das autoridades competentes para reforçar a capacidade do sistema de abastecimento e garantir um acesso regular à água potável, um recurso essencial para a saúde, a higiene e a qualidade de vida da população.

