Nacionais e estrangeiros não poupam o meio ambiente.
O académico e especialista em Gestão Ambiental, Matondo Simão, voltou a alertar para o acelerado desaparecimento das florestas em Angola, atribuindo o fenómeno à exploração indiscriminada dos recursos naturais e à alegada falta de fiscalização por parte das autoridades competentes.
Por: Redacção
Segundo o especialista, Angola possui um vasto mosaico florestal, semelhante ao de outras regiões do continente africano, desempenhando um papel fundamental na preservação da biodiversidade e no equilíbrio ambiental.
Ao abordar a situação da região dos Dembos, Matondo Simão afirmou que, apesar de ainda apresentar um nível de conservação considerado razoável, a floresta tem sido alvo de uma exploração intensa e contínua.
“A região dos Dembos continua a sofrer acções agressivas diariamente. Muitas delas são praticadas por populações locais que, por falta de educação ambiental, desconhecem os impactos da destruição das florestas. Há também cidadãos estrangeiros que exploram os recursos naturais sem considerar as consequências e, muitas vezes, sem que essa actividade traga benefícios às comunidades locais”, afirmou.
O académico acrescentou que entre os responsáveis por esta prática também se encontram cidadãos nacionais com elevado poder financeiro, que aliciam pessoas em situação de vulnerabilidade para participarem no corte indiscriminado de árvores, colocando em risco as suas próprias vidas e contribuindo para a degradação do património florestal.
De acordo com o ambientalista, a devastação das florestas resulta, sobretudo, do derrube de árvores para a expansão agrícola, produção de carvão vegetal e outras finalidades económicas. Para o especialista, quando estas actividades não são desenvolvidas de forma sustentável, representam uma séria ameaça ao equilíbrio dos ecossistemas.
“Estamos a colocar em risco a sobrevivência das espécies que habitam estas florestas e, consequentemente, a nossa própria existência, uma vez que dependemos directamente da natureza para garantir a nossa sobrevivência”, advertiu.
Matondo Simão explicou ainda que tem promovido diversas acções de sensibilização junto das comunidades locais, autoridades tradicionais, organizações religiosas e outros segmentos da sociedade, contando igualmente com o apoio de organizações não-governamentais na promoção da educação ambiental.
No entanto, considera que essas iniciativas terão pouco impacto se não forem acompanhadas por uma fiscalização rigorosa e permanente por parte das autoridades governamentais.
O especialista, que falava durante a semana passada no município do Panguila, defendeu o reforço das medidas de protecção das florestas, alertando que a continuidade da exploração desordenada poderá comprometer seriamente o bem-estar das actuais e futuras gerações..


