Foi a enterrar nesta quarta-feira o colaborador do Jornal Liberdade, Henda Domingos. O funeral realizou-se no Cemitério da Mulemba, conhecido como “14”, e reuniu familiares, amigos, colegas e profissionais da comunicação social, que prestaram a última homenagem ao jovem jornalista, que sonhava afirmar-se no sector. Por : Joāo Afonso
José Baptista, amigo e colega de Henda Domingos na Administração Municipal de Cacuaco, onde o malogrado exercia funções no Centro de Documentação e Informação, disse ter recebido a notícia da morte com profunda surpresa. Durante o seu testemunho, recordou os momentos de convivência profissional e lamentou a escassez de oportunidades para que o colega pudesse consolidar a sua carreira no jornalismo.
“Entendo que faltou oportunidade para que o nosso colega pudesse afirmar-se como profissional. Lamento profundamente esta situação. Chamávamo-lo de ‘Pepetela’ porque escrevia muito bem. Demonstrava humildade, competência e dedicação, mesmo trabalhando em condições precárias. Infelizmente, as oportunidades são poucas. É importante que as instituições valorizem e acompanhem o trabalho daqueles que ainda não têm espaço para mostrar o seu verdadeiro talento”, afirmou.
José Baptista acrescentou que a principal lição deixada por Henda Domingos é a importância de viver a vida com prudência e valorizar as relações humanas. Destacou ainda a forte demonstração de solidariedade e amizade observada durante o funeral.
Também presente nas cerimónias fúnebres, o jornalista da Rádio Luanda, Justino Lucas, recordou Henda Domingos como um profissional exemplar, reconhecido pelo espírito de partilha, pontualidade e dedicação ao trabalho.
“Era uma pessoa rigorosa, hospitaleira e sempre disponível para ajudar. Em Cacuaco colaborava frequentemente na recolha de informações para a TPA e, apesar das dificuldades financeiras, nunca deixava de enviar notícias para o programa Radar Económico, da Rádio Cacuaco”, lembrou.
A reportagem do Jornal Liberdade acompanhou o cortejo fúnebre até ao Cemitério da Mulemba. No local, fontes próximas da família informaram que colegas, amigos e outras pessoas sensibilizadas uniram esforços para prestar apoio financeiro, contribuindo para minimizar as despesas relacionadas com o funeral.
Em nome da redacção do Jornal Liberdade, o director-geral, José Virgílio, manifestou profundo pesar pela perda do colaborador, enaltecendo o seu compromisso e dedicação ao órgão de comunicação.
“Henda Domingos foi um voluntário que muito engrandeceu o Jornal Liberdade. Estávamos na fase final para a formalização do seu contrato de trabalho quando fomos surpreendidos por esta triste notícia. Perdemos um profissional promissor e um ser humano de elevado carácter. Que a sua alma descanse em paz.”
Com a partida de Henda Domingos, a comunicação social angolana perde um jovem talentoso, cuja dedicação e perseverança permanecerão na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de com ele trabalhar.


