A nova proposta de alteração da Lei n.º 12/19, sobre a Liberdade de Religião e Culto, que prevê a exigência de formação superior em Teologia para a acreditação de pastores e líderes religiosos, já começou a gerar reacções no seio da comunidade religiosa e da sociedade civil.
Por : Benhão Sapo
Segundo o Ministério da Cultura, a proposta pretende estabelecer requisitos de formação para o exercício da liderança religiosa. De acordo com o órgão, “ninguém poderá subir ao púlpito de uma igreja sem ter curso de Teologia”. A medida, segundo o Ministério, visa combater os chamados “falsos profetas” e travar a mercantilização da fé.
Entre os que se mostram favoráveis à proposta está o Oblato de Maria Imaculada, padre Paulo Pindali. Para o sacerdote, a proclamação do Evangelho em Angola transformou-se, em muitos casos, numa actividade de carácter comercial.
O religioso considera que a aprovação da nova lei poderá produzir efeitos positivos na sociedade angolana, sobretudo no combate a práticas que, segundo afirma, têm causado graves consequências no seio de algumas famílias.
“A Bíblia é como uma espada de dois gumes: em mãos preparadas, ela liberta, mas, quando é mal interpretada, pode levar uma família inteira à ruína. Acredito que esta lei, que exige formação em Teologia como requisito mínimo para os líderes religiosos, terá uma consequência muito positiva para a nossa sociedade”, afirmou.
Padre Paulo Pindali apontou como exemplos casos de crianças acusadas de feitiçaria e expulsas de casa, casamentos destruídos e famílias separadas devido a relações e profecias que, na sua perspectiva, não têm fundamento bíblico.
“Já vimos crianças inocentes acusadas de feitiçaria e expulsas de casa, já vimos casamentos destruídos e famílias separadas por causa de relações e profecias sem bases bíblicas, tudo isso supostamente em nome de Deus”, justificou.
Com formação e experiência adquiridas em alguns países africanos, entre os quais Camarões e República Democrática do Congo, o sacerdote defende a necessidade de preparar adequadamente os líderes religiosos antes de lhes confiar a responsabilidade de conduzir comunidades.
No final da sua intervenção, o sacerdote deixou ainda um desafio ao Ministério da Cultura, questionando a forma como o órgão tem acompanhado o surgimento e funcionamento de novas igrejas no país.
“O que o Ministério faz quando, no país, surgem aqui e acolá várias igrejas? Se acordou, tudo bem”, ironizou o sacerdote.

