( ParteII)
POR:
ALCIDES CHIVANGU
Pesquisador Social | Consultor Estratégico e Ético | Docente Universitário
Como saberemos se Angola está realmente a prosperar? Esta é uma pergunta simples. Mas talvez uma das perguntas mais importantes que podemos fazer quando discutimos o futuro do país.
Não proponho abandonar o PIB. Mas saber o que está a acontecer na vida das pessoas quando a economia cresce. O desenvolvimento não é apenas produzir mais. É criar condições para que as pessoas possam viver melhor, aprender, trabalhar, prosperar, participar e realizar o seu potencial.
Abraham Maslow chamou a atenção para a natureza hierárquica das necessidades humanas. Carl Rogers destacou o potencial de crescimento e realização da pessoa. A Gestalt ensinou-nos a olhar para a realidade como um todo e não apenas para fragmentos isolados.
Estas perspectivas psicológicas ajudam-nos a compreender uma coisa essencial: o ser humano não é apenas consumidor de riqueza. É também sujeito, produtor, criador, membro de uma família, de uma comunidade e de uma sociedade.
É aqui que a economia encontra a psicologia e que encontro também o Ubuntu: «Eu sou porque nós somos.»
Uma sociedade não pode considerar-se plenamente próspera quando uma parte significativa dos seus cidadãos não possui condições para desenvolver as suas capacidades. Mas também não podemos cair no erro contrário: imaginar que prosperidade significa simplesmente distribuir rendimento.
Precisamos de criar capacidade para produzir, poupar, investir, empreender, aprender e construir património.
Prosperidade não é apenas dinheiro. Imagine duas famílias com o mesmo rendimento. Uma vive num bairro seguro, tem acesso a uma escola de qualidade, possui água, transporte, serviços de saúde, relações comunitárias fortes e perspectiva de futuro. A outra enfrenta insegurança, serviços precários, endividamento, falta de oportunidades e ausência de confiança.
O rendimento pode ser semelhante. O bem-estar não é. É por isso que precisamos de olhar para a prosperidade de forma multidimensional, considerando a educação, saúde, emprego, rendimento, habitação, segurança, conhecimento, confiança, relações sociais. participação, esperança, realização pessoal, bem como a capacidade de deixar algo melhor para a geração seguinte.
A academia precisa de sair da torre de marfim.
«A investigação social não deve limitar-se a explicar a realidade. Deve ajudar a sociedade a tomar melhores decisões sobre a realidade.»
Precisamos de investigação que produza conhecimento, mas também indicadores que produzam diagnóstico. Este diagnóstico, por sua vez, deve ajudar a produzir políticas, decisões e comportamentos melhores.
É neste espírito que retomo a proposta do Índice Angolano de Bem-Estar e Prosperidade — IABEP.
Não como um índice acabado ou verdade científica já validada. Mas como uma proposta de investigação e um convite para que economistas, psicólogos, sociólogos, comunicólogos, estatísticos, gestores, decisores públicos e cidadãos participem na construção de uma ferramenta capaz de responder a uma pergunta que o PIB, sozinho, não consegue responder. Como está, de facto, a vida dos angolanos? O que deveríamos medir?
O IABEP poderá começar por algumas dimensões fundamentais, como Prosperidade Material (rendimento, emprego, património e acesso a oportunidades); Conhecimento(educação, competências e aprendizagem ao longo da vida);
Saúde e Bem-Estar (condições de saúde e percepção de qualidade de vida); Segurança e Dignidade (condições para viver e trabalhar com tranquilidade); Confiança (confiança entre cidadãos, empresas e instituições); Mobilidade Social (possibilidade real de melhorar a própria condição ao longo da vida); Coesão e Ubuntu (solidariedade, participação e responsabilidade comunitária) e Bem-Estar Subjectivo (satisfação com a vida, esperança e percepção de futuro).
Mas existe não devemos decidir sozinhos o que torna os angolanos prósperos. Devemos perguntar aos próprios angolanos. Assim, o índice deverá ser construído com ciência, dados e participação social.
ANGOLA 2036
Daqui a dez anos, não devemos perguntar apenas quanto cresceu o PIB, mas também
quantas famílias melhoraram de vida? Quantos jovens adquiriram competências? Quantos trabalhadores conseguiram construir património?
Quantas empresas cresceram? Quantas pessoas saíram da vulnerabilidade? Quanto aumentou a confiança? Quanto melhorou a educação? Quanto melhorou a saúde?
Nas respostas, encontraremos as melhores definições de prosperidade e saber se Angola está apenas a crescer ou a aprender a prosperar.

