Missionário responsabiliza pobreza e estado angolano
O número de crianças pedintes nas ruas de Luanda continua a aumentar, numa realidade que preocupa diversos sectores da sociedade. Embora não existam dados concretos sobre as razões que levam tantas crianças a viverem ou passarem grande parte do tempo nas ruas, a pobreza e a insegurança alimentar são apontadas entre os principais factores.
Por : Benhão Sapo
A situação é visível em vários pontos da capital, onde também se observa um número crescente de pessoas de diferentes idades a procurarem alimentos em contentores de lixo, numa clara demonstração das dificuldades económicas enfrentadas por muitas famílias.
Sensibilizado com esta realidade, o padre Paulo Ndjongo Pindal afirmou que o aumento do número de crianças pedintes em Luanda resulta de factores como a pobreza, a fuga à paternidade e, sobretudo, da falta de políticas sociais eficazes por parte do Estado.
“Em Luanda, quase todas as crianças estão na rua. Os pais fugiram? Não. Estão presentes, mas faltam condições para que as famílias possam acolher e acompanhar devidamente os seus filhos. Primeiro, a pobreza; depois, a fuga à paternidade; e, em terceiro lugar, o próprio Governo, que não tem feito o suficiente para erradicar uma situação como esta”, afirmou o sacerdote.
O clérigo acusou ainda as autoridades de não garantirem de forma eficaz o acompanhamento e a protecção dos direitos das crianças, apesar dos desafios sociais que afectam milhares de famílias angolanas.
Para o sacerdote, o contraste entre a riqueza em recursos naturais do país e as condições de vida de grande parte da população é motivo de preocupação. Segundo defendeu, é difícil compreender que uma nação considerada rica continue a registar elevados índices de crianças em situação de mendicidade, muitas das quais sobrevivem da recolha de materiais recicláveis ou da procura de alimentos em aterros sanitários.
O presbítero da Congregação dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada questionou, de forma crítica, a persistência deste fenómeno, precisamente num mês dedicado à celebração e protecção dos direitos da criança.
Foto : Novo Jornal

