Famílias recorrem a folhas de bananeira para conservar corpos
Várias famílias no interior do município do Bula Atumba, província do Bengo, continuam a sepultar os seus entes queridos em cemitérios clandestinos, muitos dos quais localizados nas proximidades das suas residências. A situação, segundo denúncias da comunidade, resulta das dificuldades económicas e da falta de condições para a conservação adequada dos corpos.
Por : João Afonso
A denúncia foi feita pelo Dembo do sector do Banza do Bula, Luciano Fernando, que atribui o problema à insuficiência de recursos financeiros das famílias e às limitações do hospital local. Segundo explicou, a unidade sanitária não está ligada à rede pública de energia eléctrica, dependendo de um gerador para o funcionamento da morgue.
De acordo com o líder tradicional, sempre que ocorre um óbito, os familiares são obrigados a reunir contribuições para adquirir combustível destinado ao abastecimento do gerador, de forma a garantir a conservação dos corpos. No entanto, afirma que, mesmo após o pagamento, os problemas persistem.
“Fazemos contribuições na comunidade para comprar combustível e abastecer o gerador do hospital. Mesmo assim, somos obrigados a retirar o corpo rapidamente da morgue, porque, em menos de 24 horas, pode deixar de estar devidamente conservado”, lamentou.
Luciano Fernando acrescenta que, apesar da existência de um cemitério na localidade, muitas famílias não conseguem suportar os custos associados ao funeral, o que as leva a procurar alternativas.
“Somos obrigados a cortar folhas de bananeira para ajudar a conservar os corpos dos nossos familiares em casa e enterrá-los no dia seguinte”, explicou.
O Dembo denunciou ainda que, perante estas dificuldades, a própria população tem criado cemitérios informais, muitos deles situados junto às zonas residenciais, uma realidade que, segundo considera, representa riscos para a saúde pública e para o ordenamento das comunidades.
Contactada pelo nosso jornal, a direcção do hospital localizada na vila de Bula Atumba recusou prestar esclarecimentos, alegando não possuir autorização superior para se pronunciar a propósito.


