O avançado estado de degradação da Estrada Nacional 120, que liga as províncias de Luanda, Bengo e Uíge, continua a gerar forte insatisfação entre passageiros e automobilistas, sobretudo no troço Caxito–Uíge, considerado um dos mais críticos.
Por : Benhão Sapo
Com cerca de 343 quilómetros de extensão, uma viagem que, em condições normais, deveria durar entre quatro a seis horas, tem-se transformado numa verdadeira provação. Motoristas que operam regularmente nesta via relatam que o percurso é marcado por inúmeros buracos não intervencionados, tornando a circulação lenta, desconfortável e perigosa.
Os utentes da estrada acusam o governo de falta de atenção na manutenção da via e defendem uma intervenção urgente e profunda para inverter o actual cenário, que classificam como crítico.
Francisco Muntu, visivelmente agastado, afirmou não se ter sentido confortável durante a viagem, apontando também a ausência de sinalização como um factor de risco.
“Os veículos estão em boas condições, mas a estrada está completamente esburacada, o que dificulta a circulação. Não há sinalização que alerte para os perigos. A viagem demora muito por causa dos buracos”, lamentou, apelando às autoridades para melhorarem uma via que considera estratégica para o comércio.
Por sua vez, Vasco Rufino, que viajou pela primeira vez para o Uíge na sexta-feira, 24 de Abril, classificou as condições da estrada como precárias e perigosas, desaconselhando a circulação no período nocturno. Segundo ele, o estado da via demonstra falta de intervenção governamental.
“A estrada está péssima. Durante o dia já é difícil, imagine à noite. Isto revela falta de vontade das autoridades. É a minha primeira viagem ao Uíge, por motivos de óbito, e sinto-me cansado e extremamente desconfortável. Em cada curva há um buraco”, desabafou.
Outro passageiro, Timóteo Lourenço, com destino ao município do Negage, destacou ainda o elevado número de controlos policiais ao longo da estrada como um dos factores que contribuem para o atraso nas viagens. O utente apelou à criação de mecanismos alternativos que possam melhorar tanto a fluidez do tráfego como as condições da via.
Para além dos buracos, a vegetação em crescimento nas bermas tem vindo a estreitar a estrada, chegando mesmo a cobrir sinais de trânsito importantes para a orientação e segurança dos condutores.
Diante deste cenário, os utentes defendem uma intervenção urgente das autoridades competentes, visando garantir melhores condições de circulação e segurança numa via considerada vital para a ligação e dinamização económica entre as províncias.


