A ansiedade e a expectativa por um desfecho favorável no processo de reivindicação de indemnizações continuam a marcar o quotidiano dos ex-trabalhadores da Zona Económica Especial (ZEE). Recentemente, o grupo foi surpreendido pela posição da Sonangol Investimentos Industriais (SIIND), que, durante mais uma ronda de negociações, alegou desconhecer a efectividade dos trabalhadores envolvidos no processo.
Por : João Afonso
A situação leva um paralelo com uma das mais conhecidas passagens bíblicas onde Pedro, um dos discípulos mais próximos de Jesus, negou conhecê-lo por três vezes antes da crucificação. A alegada recusa da SIIND em reconhecer o vínculo laboral existente ao longo dos anos faz lembrar esse episódio narrado nas Sagradas Escrituras.
O presidente do Sindicato dos Ex-Trabalhadores da ZEE, António Adão Correia diz que a organização tem intensificado contactos junto de várias instituições do Estado, numa tentativa de encontrar uma solução para um problema que se arrasta há vários anos.
Apesar do impasse, António Adão Correia mantém-se confiante e garante que os trabalhadores dispõem de elementos suficientes para provar, em tribunal, o vínculo laboral que mantinham com a empresa.
“Já batemos às portas de várias instituições, entre elas a Procuradoria-Geral da República, a Inspecção-Geral da Administração do Estado, a Provedoria de Justiça e outras entidades, com destaque para a Presidência da República”, afirmou.
Visivelmente insatisfeito com a demora na resolução do processo, o líder sindical apela à serenidade dos colegas, reiterando a confiança num desfecho favorável.
“Estamos a trabalhar em conjunto com o nosso advogado. Neste momento, resta-nos aguardar que o Ministério Público conclua os procedimentos necessários para que o processo transite em julgado. O representante da SIIND/ SNL alegou desconhecer o nosso vínculo laboral com a própria empresa, mas acreditamos que a verdade dos factos será demonstrada”, sublinhou.
Recorde-se que os ex-trabalhadores continuam a reivindicar o pagamento de indemnizações consideradas justas, bem como salários retroactivos em atraso. As reclamações surgem na sequência do encerramento e da privatização de várias unidades industriais, processo que resultou no despedimento de numerosos funcionários e que continua a gerar contestação por parte dos antigos trabalhadores.

