O acesso à água potável continua a ser um desafio para muitas famílias angolanas. No bairro Paz, município de Cacuaco, a situação é particularmente preocupante: apesar da existência de infraestruturas como fontanários, vários encontram-se abandonados e sem funcionamento há anos.
Por : Benhão Sapo
No local, é visível um chafariz que já não fornece água, obrigando os moradores a percorrer longas distâncias em busca do líquido essencial. Em muitos casos, o transporte é feito manualmente, com bacias à cabeça, o que limita a quantidade de água disponível para as necessidades diárias.
“Faz tempo que esses chafarizes não funcionam. Para termos água, temos de ir muito longe, e mesmo assim não conseguimos quantidade suficiente para tudo: lavar, cozinhar, tomar banho e beber”, relatou dona Maria, residente na comunidade.
Diante da escassez, algumas famílias recorrem a fontes impróprias. José Kapaxi afirma que a água da vala tem sido uma alternativa, ainda que insegura: “Às vezes tiramos água da vala para lavar roupa e até cozinhar. Não é boa, mas não temos outra escolha”, lamentou.
Contactada pelo nosso jornal, a comissão de moradores confirmou ter conhecimento da situação e assegurou que o problema já foi reportado à administração municipal de Cacuaco, sem, no entanto, avançar detalhes sobre possíveis soluções.
Durante uma ronda, a nossa equipa constatou o abandono de vários fontanários, deixados à sua própria sorte. A falta de abastecimento de água afecta também outras zonas do município, como Pedreira, Ângelo, Cambuá, Come e Bebe, Rastas e Ngonguembo.
Enquanto isso, a escassez tem impulsionado a comercialização informal de água em residências e tanques improvisados – prática que muitos moradores descrevem como um verdadeiro “garimpo”.
A situação continua a exigir respostas urgentes das autoridades, tendo em conta os riscos para a saúde pública e o impacto directo na qualidade de vida das populações.

