Numa altura em que se multiplicam relatos e preocupações entre a juventude angolana sobre o acesso ao emprego, torna-se evidente a pressão existente no mercado de trabalho. Basta observar a elevada afluência aos concursos públicos, sobretudo nos sectores da saúde e da educação — frequentemente associados também ao Ministério do Interior — para perceber a dimensão do problema.
Por: João Afonso
Os jovens continuam a enfrentar dificuldades na busca pelo primeiro emprego, tanto no sector público como no privado, num cenário marcado por forte concorrência e escassez de oportunidades formais.
Recentemente, o ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, apelou aos jovens para apostarem mais na formação profissional, na criação de projectos sustentáveis e na produção agrícola, como forma de contribuírem para o desenvolvimento social, cultural e económico do país.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), cerca de 13,36 milhões de angolanos estavam empregados em 2025, o que corresponde a uma taxa de emprego de 63,7%.
O Anuário do Inquérito ao Emprego em Angola revela ainda que o sector informal continua a dominar o mercado de trabalho, abrangendo aproximadamente quatro quintos da população empregada. Já a taxa de subemprego foi estimada em 2,1%.
Por outro lado, a taxa de desemprego na população com 15 ou mais anos situou-se em 28,3%, o equivalente a cerca de 5,28 milhões de pessoas, evidenciando os persistentes desafios enfrentados pela juventude na inserção no mercado de trabalho formal.

