O general na reforma Higino Carneiro foi ouvido nesta quarta-feira na Procuradoria-Geral da República (PGR), no âmbito da reabertura do processo-crime n.º 48/20, no qual figura como arguido. Após a audiência, o antigo governador da província de Luanda afirmou aos jornalistas acreditar que existem motivações políticas por detrás do caso, apesar de o denunciante já ter retirado a queixa.
Por : João Afonso
Higino Carneiro considerou que poderá haver interferências políticas com o objectivo de o afastar da corrida à presidência do seu partido.
“Apesar dos pesares, não vou desistir da corrida presidencial do meu partido. Quero também aproveitar a ocasião para reprovar a atitude do Bureau Político em manifestar apoio incondicional a João Lourenço, sobretudo pelas campanhas que já decorrem. Isso belisca o nosso código de conduta e os regulamentos eleitorais”, declarou o general na reforma.
Entretanto, a Procuradoria-Geral da República esclareceu, em nota divulgada esta quarta-feira, em Luanda, que o processo-crime contra Higino Carneiro prossegue independentemente da retirada da queixa por parte do denunciante, por se tratar de crimes públicos.
De acordo com o Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da PGR, o arguido foi convocado para ser notificado da acusação no âmbito do referido processo, no qual responde pelos crimes de peculato e burla qualificada.
Segundo a PGR, os factos imputados ao antigo governador incluem o alegado uso indevido de fundos públicos para a aquisição de viaturas, bem como a simulação de contratos destinados a beneficiar de verbas públicas para a reparação de estradas que, alegadamente, não chegaram a ser executadas, apesar da existência de financiamento.
A instituição sublinhou ainda que tanto o crime de peculato como o de burla qualificada são classificados como crimes públicos, o que significa que a continuidade do processo judicial não depende da vontade do queixoso.
