Sociedade angolana cada vez mais individualista e egoísta
O missionário oblato de Maria Imaculada, padre Paulo Ndjongo Pindali, considera que a sociedade angolana está cada vez mais marcada pelo individualismo, egoísmo e desconfiança, cenário que, segundo afirmou, tem sido agravado pela crise económica e financeira que o país continua a enfrentar.
Por : Benhão Sapo
Ao analisar o actual contexto social, o sacerdote recordou que o africano é, por natureza, um povo acolhedor e hospitaleiro. No entanto, alertou que, num mundo onde o individualismo e a desconfiança crescem diariamente, torna-se indispensável que as famílias resgatem e fortaleçam a prática da hospitalidade.
“A Palavra de Deus recomenda a hospitalidade. Ela não é apenas um acto social, mas, sobretudo, uma demonstração de amor ao próximo e ao próprio Jesus”, afirmou.
O clérigo sublinhou que não são necessárias acções extraordinárias para viver a hospitalidade. Segundo explicou, pequenos gestos, como visitar doentes nos hospitais, partilhar alimentos ou prestar auxílio a quem necessita, são suficientes para colocar em prática os ensinamentos cristãos.
Recorrendo às Sagradas Escrituras, padre Pindali recordou o exemplo da mulher que acolheu um homem de Deus, destacando que todos têm, diariamente, a oportunidade de acolher Deus através das pessoas que cruzam os seus caminhos.
“Aquela mulher ofereceu apenas um pouco de água, mas, na verdade, estava a acolher Deus. Também nós temos, todos os dias, a oportunidade de acolher Deus através das pessoas. Não é preciso realizar acções extraordinárias. Num mundo marcado pela indiferença e pelo egoísmo, a Palavra orienta-nos a fazer lugar para o outro. Quando fazemos isso, estamos a acolher Deus”, frisou.
O missionário chamou ainda a atenção para a falta de solidariedade entre algumas famílias, lembrando que a Sagrada Escritura recomenda “dar de comer a quem tem fome e dar de beber a quem tem sede”. Em tom crítico, lamentou a atitude de pessoas que evitam receber visitas, chegando, por vezes, a “apagar o fogão” quando alguém aparece em casa, ou que ignoram as saudações de quem as procura.
Para o sacerdote, essas atitudes revelam a perda do espírito de hospitalidade e solidariedade, advertindo que, muitas vezes, a pessoa que bate à porta pode ser um instrumento de Deus para levar bênçãos e graças às famílias.

