O presidente do Partido Pacífico Angolano (PPA), Eduardo Garcia, criticou o que considera ser um discurso “inflamatório” adoptado por alguns analistas políticos e sectores da imprensa em relação às próximas eleições gerais em Angola.
Por : Benhāo Sapo.
Segundo o político, algumas abordagens têm contribuído para criar um ambiente de medo e desconfiança entre os cidadãos, ao transmitir a ideia de que o processo eleitoral poderá resultar em conflitos ou confrontos entre os angolanos.
Eduardo Garcia, que integra o Encontro de Unidade para a Alternância Democrática em 2027, plataforma da qual fazem parte o Bloco Democrático, PDP-ANA, PNSA e PPA, considera que esse tipo de discurso pode estar a contribuir para a criação de um modelo de “autocontrolo social”, que, no seu entender, é prejudicial ao exercício democrático.
“Há um discurso permanente que tem sido defendido por muitos analistas políticos e não só. A imprensa, de forma inocente ou não, passa este discurso segundo o qual as próximas eleições em Angola serão muito tensas. De algum tempo para cá, adoptou-se uma forma de implantar medo no cidadão, de tal sorte que chegamos à conclusão de que se está a ensaiar um modelo de autocontrolo social, para permitir que os cidadãos normalizem a ideia de que as eleições significam guerra, conflito e desencontro entre as pessoas”, denunciou.
O presidente do PPA defendeu, por outro lado, o diálogo entre as diferentes forças políticas como o principal caminho para a resolução das divergências entre os angolanos.
Eduardo Garcia assegurou que a plataforma continuará a defender os princípios democráticos e constitucionais, bem como a trabalhar em articulação com a sociedade civil para pressionar as instituições do Estado a cumprir a legislação.
“Nós somos pelos princípios democráticos e constitucionais e vamos continuar a apregoar o diálogo como o único caminho para resolvermos as nossas diferenças. Permanentemente temos conversado com a sociedade civil e estamos alinhados com ela em relação a uma série de mecanismos para pressionar as instituições do Estado para que a lei seja cumprida”, afirmou.
Apesar da defesa do diálogo, o responsável deixou claro que a plataforma não pretende facilitar aquilo que considera ser uma estratégia destinada a conduzir os seus adversários políticos para um cenário que possa beneficiar interesses alheios.
“O que nós não queremos fazer é passar a ideia de que vamos facilitar o jogo de quem quer nos levar para um caminho para, depois, facilitar a sua jogada”, garantiu.
As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa conjunta realizada pelos quatro partidos que integram o Encontro de Unidade para a Alternância Política em 2027.
A conferência decorreu na quarta-feira, 19 de agosto, em Luanda, onde os partidos reiteraram a necessidade de cumprimento das normas legais e de maior transparência nos processos relacionados com as próximas eleições gerais.

