Cerca de um mês após as denúncias de posse ilegal de arma de fogo e agressões contra camponeses da aldeia Nova Angola, no município do Kitexe, província do Uíge, o caso envolvendo Virgílio Cordeiro João volta a gerar polémica e pressão por parte da sociedade civil.
Por: Benhão Sapo
O cidadão, que foi recentemente exonerado do cargo de chefe do Departamento de Informação e Propaganda (DIP) do MPLA na província do Uíge, é acusado de ter efectuado disparos contra civis durante um conflito de terras, além de alegado envolvimento em práticas como espancamento, rapto e expropriação de terrenos pertencentes às populações locais.
O activista cívico e defensor dos direitos humanos, Guimarães Libertador, apela à actuação rigorosa da justiça, defendendo a responsabilização do acusado. Para o activista, a aplicação da lei deve ser equitativa:

“Pedimos que a justiça não seja apenas para os mais pobres, mas para todos aqueles que infringem a lei.”
Guimarães Libertador denuncia ainda que, apesar da exoneração, Virgílio Cordeiro João continua a exercer funções como gestor do Centro Tecnológico do Uíge, instituição que, segundo afirma, recebe mensalmente cerca de 30 milhões de kwanzas do Estado angolano. O destino desses fundos, de acordo com o activista, levanta dúvidas quanto à transparência da sua gestão.
Diante disso, o defensor dos direitos humanos solicita não só a suspensão imediata do visado das funções que ainda desempenha, como também a abertura de uma investigação aprofundada, tanto sobre os alegados crimes quanto sobre a administração do referido centro.
“Pedimos que seja igualmente suspenso do Centro Tecnológico e responsabilizado pelos crimes. É também necessário investigar a gestão da instituição, pois há indícios de má administração”, sublinhou.
O Jornal Liberdade confirmou, junto de fontes próximas do Governo Provincial do Uíge, a exoneração de Virgílio Cordeiro João do cargo de chefe do DIP do MPLA, função que exercia até ao momento dos acontecimentos registados no Kitexe.
A informação, que já circulava em páginas oficiais do partido na província, foi igualmente corroborada pelo activista Guimarães Libertador.
O caso continua a gerar inquietação entre os moradores e organizações da sociedade civil, que exigem justiça e maior transparência na gestão de bens públicos.

