Por ocasião do Dia de África, assinalado nesta segunda-feira, 25 de Maio, o historiador e professor Dinis Miguel afirmou que “não é esta África que os pais das independências africanas lutaram para construir”. O académico destacou que o continente continua a enfrentar diversos problemas sociais, económicos e políticos que travam o seu desenvolvimento.
Por: Redacção
Entre os principais desafios apontados estão a falta de indústrias, o desemprego, as perseguições políticas, o reduzido investimento no sector tecnológico e as deficiências no sistema de educação. Segundo Dinis Miguel, a escassez de indústrias obriga muitos países africanos a dependerem da importação de vários produtos, enquanto o desemprego tem contribuído para a migração de milhares de africanos para a Europa em busca de melhores condições de vida.
Relativamente às perseguições políticas, o académico salientou que esta realidade força muitos cidadãos africanos a procurarem refúgio no estrangeiro. Outro problema mencionado foi a falta de investimento nas tecnologias de informação e comunicação, situação que, segundo o professor, mantém África distante do avanço tecnológico registado noutras regiões do mundo.
Dinis Miguel destacou ainda as fragilidades no sector da educação, afirmando que a baixa qualidade do ensino continua a contribuir para os elevados índices de analfabetismo no continente. Além disso, referiu que doenças como o ébola continuam a representar sérios desafios para os países africanos.
Aproveitando a ocasião, o académico fez também um enquadramento histórico sobre a celebração do Dia de África. Explicou que, após a Segunda Guerra Mundial, líderes africanos e membros da diáspora organizaram o movimento Pan-Africanista através de vários congressos realizados em cidades como Manchester, Paris, Londres e Tunis. O objectivo era consciencializar os africanos para a luta contra o colonialismo e pela conquista das independências.
Segundo o historiador, depois de longos períodos de luta, dezassete países africanos alcançaram a independência nos anos 60, facto que marcou profundamente a história do continente. Na sequência dessas conquistas, os líderes dos países recém-independentes reuniram-se em Addis Abeba, no dia 25 de Maio, para definir estratégias de apoio aos territórios africanos que ainda permaneciam sob domínio colonial, com destaque para a Namíbia, que só alcançou a independência nos anos 90.
Foi deste encontro que surgiu a celebração do Dia de África, inicialmente associada à criação da Organização da Unidade Africana (OUA), instituição que tinha como objectivo promover a união, o crescimento e o desenvolvimento económico do continente. Mais tarde, a OUA deu lugar à União Africana (UA), reforçando a missão de integração e desenvolvimento dos países africanos.
Salientar que o continente africano completa 63 anos de existência.

