Angola recorda o episódio entre lágrimas e pedidos de reconciliação
Apesar das desculpas públicas e do pedido de perdão às vítimas e familiares do massacre de 27 de Maio de 1977, proferidos a 26 de Maio de 2021 pelo Presidente João Lourenço em nome do Estado angolano, as lágrimas continuam a marcar o rosto de muitos angolanos, sobretudo daqueles que perderam familiares durante este período trágico da história do país.
Por : João Afonso
Em consequência disso, vários activistas e movimentos cívicos em Luanda têm assinalado a data com protestos e marchas, numa demonstração de mobilização de sobreviventes, familiares das vítimas e jovens que repudiam o silêncio histórico e criticam a actuação das forças de segurança em momentos considerados sensíveis.
Com a criação da CIVICOP(Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos), em 2019, o Governo angolano passou a emitir certidões de óbito e a localizar os restos mortais de cidadãos executados durante os conflitos políticos. Esta iniciativa permitiu o sepultamento digno de muitas vítimas que, na época, não tiveram direito a funeral condigno. Recentemente, no âmbito das investigações sobre vítimas dos conflitos políticos em Angola, foi descoberta uma vala comum no Cemitério da Mulemba, conhecido como “14”, onde foram encontradas ossadas de mais de 500 pessoas.
Na semana passada, o Presidente João Lourenço visitou, em Luanda, as obras de construção do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos. O complexo, erguido na zona da Praia do Bispo, integra o processo de reconciliação nacional conduzido pela CIVICOP.
Importa recordar que o 27 de Maio de 1977 refere-se a uma alegada tentativa de golpe de Estado em Angola, liderada pelo antigo ministro Nito Alves e outros dirigentes considerados “fraccionistas” do MPLA. A rebelião contra o governo do então Presidente Agostinho Neto desencadeou uma violenta repressão, resultando no fuzilamento, desaparecimento e perseguição de milhares de cidadãos angolanos.
Foto: VER ANGOLA

