UNITA e MPLA partilham espaço durante campanha de adesão de novos militantes
A UNITA e o MPLA partilharam, no último sábado, 29, o mesmo espaço para o processo de adesão de novos militantes, na zona da 5M, bairro Belo Monte, município de Cacuaco, em Luanda. A presença simultânea das duas formações políticas gerou, inicialmente, um clima de tensão que chegou a ameaçar provocar tumultos.
Por: Benhão Sapo
Enquanto decorria o cadastramento de novos militantes, num ambiente aparentemente tranquilo entre as duas forças políticas, o secretário para a Mobilização da Zona 7 Periférica da UNITA, Almeida Pedro Manuel, denunciou o que considerou uma atitude de “intolerância política” protagonizada pelo MPLA.
Segundo o responsável, os militantes da UNITA já se encontravam instalados no local quando membros do MPLA chegaram e montaram uma mesa de cadastramento nas proximidades.
“Nós recebemos orientações sobre as novas dinâmicas do nosso partido, aprendemos seriamente e estamos aqui a aplicar, cadastrando novos membros. Infelizmente, na manhã de hoje vieram os nossos irmãos do MPLA, montaram a sua mesa ao nosso lado. Tentámos reagir, mas eles alegaram que seria uma intolerância política e não queriam compreender”, afirmou Almeida Pedro Manuel.
O dirigente da UNITA acrescentou que, na sua interpretação, a situação não deveria ter ocorrido daquela forma, alegando que a legislação estabelece uma distância mínima entre as actividades de mobilização das diferentes forças políticas.
Almeida Pedro Manuel revelou ainda que a situação terá provocado um princípio de confronto, depois de alguns populares terem contestado a presença dos membros do MPLA e, alegadamente, tomado posição em defesa da UNITA.
A tensão, contudo, terá sido rapidamente ultrapassada, permitindo que as duas formações políticas permanecessem no local e prosseguissem, em simultâneo, com as actividades de mobilização e cadastramento de novos militantes.
Do lado do MPLA, o secretário responsável pela mesa de cadastramento recusou prestar uma entrevista, alegando não possuir autorização para falar à imprensa. Ainda assim, afirmou que as duas formações políticas estavam à vontade no local e que a partilha do espaço não constituía qualquer problema.
“Nós não somos todos inimigos, somos todos irmãos. Por que não podemos trabalhar juntos? Estamos aqui a trabalhar sem problemas”, afirmou.
O episódio deixa, assim, uma imagem com duas interpretações distintas: de um lado, a UNITA considera a situação um exemplo de intolerância política; do outro, o MPLA entende que a convivência e a partilha do mesmo espaço demonstram que é possível realizar actividades políticas sem confrontos.
Fica, por isso, a questão: tratou-se de um episódio de intolerância política ou de uma demonstração de convivência democrática?

