Em entrevista, Manuel Fernandes aborda o posicionamento e o crescimento do Renova Angola, a preparação dos seus quadros para uma eventual responsabilidade de governação, as dificuldades de implantação da organização a nível nacional e a situação socioeconómica de Angola.
O responsável considera que o país atravessa uma situação “bastante difícil”, marcada pelo desemprego, dificuldades económicas e perda de perspectivas para a juventude. Defende, por isso, uma nova matriz política para Angola.
Como é que vê a situação política e o que os angolanos podem esperar do Renova Angola?
MANUEL FERNANDES: Os angolanos podem esperar do Renova Angola como um instrumento sério e maduro, capaz de concretizar o sonho adiado há mais de 50 anos.
Somos uma força política que está a crescer bastante, dotada de quadros competentes, muitos jovens e também patriotas, que têm um pensamento diferente sobre a gestão do país.
É preciso clarificar que o nosso objectivo central, como de qualquer partido político, é o poder. Mas esse poder não deve simplesmente cair nas mãos de quem precisa. Deve ser resultado de todo um trabalho.
Como o Renova Angola está a preparar-se para assumir responsabilidades de governação?
MANUEL FERNANDES: Trabalhamos primeiro para preparar as pessoas para estarem à altura dos desafios da governação e, por outro lado, para preparar a máquina, de modo a merecer a confiança do cidadão.
Trabalhamos todos os dias no aprimoramento político, técnico e administrativo dos nossos quadros para que, amanhã, queira Deus, se o resultado for favorável ao Renova Angola, não tenhamos dificuldades em assumir a responsabilidade que nos for confiada.
Confiamos nos quadros que temos. O Renova Angola cresce todos os dias, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo.
Quais são os principais desafios do Renova Angola neste processo de crescimento?
MANUEL FERNANDES: Temos desafios a nível nacional, provincial e também municipal. Esta última dimensão constitui ainda um grande desafio.
Houve um aumento do número de circunscrições territoriais, o que nos obriga a redobrar os esforços para estarmos presentes em todas elas.
Também não podemos deixar de mencionar algumas dificuldades do nosso percurso. Tudo aquilo que fizemos até agora resulta das contribuições dos militantes. Não temos, por exemplo, uma fonte de receita proveniente do Estado.
Recorremos às contribuições especiais e às quotas dos militantes para dar cobertura às necessidades da dinâmica funcional do partido.
Como avalia actualmente a estrutura organizativa do Renova Angola?
MANUEL FERNANDES: A máquina recomenda-se. A máquina está boa. Não pode faltar um ou outro percalço.
Tivemos uma reunião no dia 18 do mês passado, numa das unidades hoteleiras do país, onde reflectimos sobre a organização e revisitámos as nossas estratégias deliberadas a nível do Congresso.
Foram redefinidos alguns métodos de funcionamento. Uma das questões revistas foi a necessidade do remanejamento de quadros, no sentido de colocar o homem certo no lugar certo.
O que significa, na prática, colocar “o homem certo no lugar certo”?
MANUEL FERNANDES: É exactamente o exercício que estamos a fazer.
Ao longo desta semana, publicámos uma série de movimentações de quadros para corresponder a esse desiderato de colocar o homem certo no lugar certo.
O desafio maior vem aí e a máquina tem de estar à altura desse desafio.
Como é que o Renova Angola vê actualmente a situação sociopolítica do país?
MANUEL FERNANDES: É uma situação bastante difícil. Do ponto de vista socioeconómico, os angolanos estão miseráveis. Houve aqui uma regressão. O país saiu da pobreza para a miséria.
É uma condição dificílima, porque aumentou o exército de desempregados e aumentou também a perspectiva de desespero da juventude em relação a um futuro melhor.
Que outros problemas considera preocupantes na actual realidade económica?
MANUEL FERNANDES: As empresas estão sempre a falir. Criam-se empresas, mas há mais empresas a falir do que efectivamente a terem sucesso no mercado.
Os salários são incompatíveis com a procura e com as necessidades sociais.
Estamos perante um quadro bastante difícil, caótico, de regressão total.
Perante este cenário, qual é a leitura política que o Renova Angola faz?
MANUEL FERNANDES: Hoje, efectivamente, tudo aquilo que se tinha como expectativas em relação ao programa sufragado nas últimas eleições caiu completamente em desuso.
Neste preciso momento, o grito da mudança ecoa por toda Angola.
Não temos sombra de dúvida nenhuma de que os angolanos querem uma nova matriz política que deve dirigir o país.

