A tão debatida alternância política em Angola, tendo em vista as eleições gerais de 2027, continua a alimentar expectativas e a gerar reflexões sobre as estratégias necessárias para retirar o MPLA do poder após décadas de governação.
Por: Benhão Sapo
Para muitos analistas, o desafio pode ser comparado ao episódio bíblico de Davi e Golias, no qual a coragem, a determinação e a estratégia permitiram ao mais fraco vencer um adversário aparentemente invencível.
É nesta perspectiva que o jurista e político Higino Cambanda defende a união das forças políticas da oposição. Invocando o velho adágio de que “a união faz a força”, o também analista considera fundamental a realização de uma mesa-redonda entre os partidos da oposição, com o objectivo de criar uma coligação robusta e capaz de enfrentar o MPLA nas eleições de 2027.
Durante a sua abordagem, Cambanda acusou a UNITA de ter abandonado o discurso da unidade entre as forças políticas da oposição, substituindo-o pela estratégia da chamada Frente Ampla.
As declarações surgem numa altura em que o Bloco Democrático terá proposto a criação de uma frente unida envolvendo os partidos FNLA, PADA, RENOVA Angola, PDP-ANA e PSN.
Para o jurista, a principal responsabilidade na construção de uma ampla plataforma política recai sobre a UNITA.
“Quem detém a gravíssima responsabilidade para a criação de uma ampla frente é a UNITA”, afirmou.
Higino Cambanda argumenta que o maior partido da oposição possui um percurso histórico consolidado e uma base de apoio significativa, próxima da dimensão eleitoral do partido governante. Por essa razão, entende que cabe à UNITA liderar os esforços para a formação de uma grande plataforma eleitoral capaz de evitar a dispersão dos votos da oposição.
Segundo o jurista, a fragmentação das forças opositoras pode comprometer as suas possibilidades de sucesso eleitoral.
“Os esforços dos partidos na oposição são positivos, mas é necessário fazer mais”, sublinhou.
Apesar de reconhecer a existência de possíveis obstáculos jurídicos e constitucionais à formalização de uma coligação eleitoral, Cambanda continua a defender a criação de uma plataforma comum entre os partidos da oposição. Na sua visão, é possível construir uma coligação pré-eleitoral através de mecanismos e entendimentos políticos compatíveis com a legislação angolana.
Para o jurista, a definição de estratégias conjuntas e a convergência de objectivos poderão ser determinantes para o futuro da oposição.

