Em reacção ao debate sobre a tão aguardada alternância política em Angola, o Bloco Democrático (BD) veio a público esclarecer que continua comprometido com a Frente Patriótica Unida (FPU). A posição foi expressa por Germano Candimba, membro do Conselho Nacional do partido, que aproveitou a ocasião para rejeitar a ideia de que apenas a UNITA deve liderar uma eventual coligação eleitoral da oposição.
Por : Benhão Sapo e João Afonso
Segundo Candimba, numa democracia plural, qualquer partido da oposição possui legitimidade política e moral para promover iniciativas de unidade com vista à alternância do poder.
“Numa democracia plural, qualquer partido da oposição tem legitimidade política e moral para promover iniciativas de unidade visando a alternância do poder”, afirmou.
Para o dirigente, o mais importante não é determinar quem deve liderar o processo, mas sim a capacidade de congregar vontades em torno de um projecto patriótico capaz de responder aos desafios que o país enfrenta.
Candimba defende ainda que a alternância política não deve ser encarada como prioridade exclusiva de uma única força política, mas como um objectivo nacional que exige o contributo de todos os que acreditam numa mudança democrática.
“A alternância política não deve ser vista como prioridade de uma única força política, mas sim como um objectivo nacional que exige o contributo de todos os que pensam numa alternância democrática”, sublinhou.
Na sua perspectiva, o espírito patriótico exige que os partidos políticos coloquem Angola em primeiro lugar, construindo pontes de entendimento e reforçando a unidade entre as forças comprometidas com a mudança.
“Mais do que disputas de protagonismo, os angolanos esperam maturidade política, sentido de Estado e compromisso efectivo com a construção de uma Angola mais justa, inclusiva e democrática”, acrescentou.
O membro do Conselho Nacional do BD informou ainda que o partido mantém-se firme nos princípios, objectivos e compromissos que estiveram na origem da FPU, cuja missão é construir uma alternativa democrática capaz de responder às legítimas aspirações do povo angolano.
De acordo com Germano Candimba, os contactos que o partido tem mantido com outras forças políticas devem ser entendidos como parte do esforço para reforçar a própria Frente Patriótica Unida e encontrar mecanismos que permitam a evolução para uma verdadeira coligação eleitoral da oposição.
O político concluiu afirmando que o momento exige diálogo, convergência e capacidade de colocar os interesses nacionais acima das conveniências partidárias.
Estas declarações surgem em resposta às recentes afirmações do jurista e político Higino Cambanda, que defendeu que a UNITA deve assumir a liderança dos esforços para a formação de uma grande plataforma eleitoral da oposição. Segundo Cambanda, o maior partido da oposição possui um percurso histórico consolidado e uma base de apoio significativa, próxima da dimensão eleitoral do partido governante, o que justificaria a sua liderança no processo de união das forças opositoras e na prevenção da dispersão dos votos.

